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Vasconcellos e Sá
Santa ignorância
21-12-2012
No outro dia ao abrir a televisão para notícias, tropecei num debate em que participava o deputado João Galamba, que com um ar prazenteiro de autocontentamento, fruto de quem redescobria o de que todos se esqueciam, dizia: é bom lembrar que o estado também contribui para o PIB ...

Certo, mas a questão não é essa. A questão é se os recursos entregues pela sociedade ao estado não seriam mais rentabilizados nas mãos dos privados. Isto é, se com os mesmos recursos do estado, os privados não fariam mais e melhor (contribuição para o PIB).
Certamente que não, diria se questionado outro deputado (este europeu) e agora de nome Correia de Campos e ainda noutro debate (muitos debatentes... tem a televisão portuguesa).
É que (é preciso azar) apanhei-o pouco depois a dizer com o ar mais convicto do mundo: não há absolutamente prova nenhuma, de que o estado seja pior gestor que os privados ...
Como? Como? Mas que gente é esta? Vamos devagar. Festina lente como dizia Marco Aurélio.
Há uma resposta curta e outra longa.
A curta é perguntarmo-nos, o que eram os países comunistas senão países de empresas públicas?
Parece haver quem ignore que o muro de Berlim caiu deixando à vista porque dezenas de milhares de pessoas (balseiros) se amandavam ao mar para fazer a travessia de 165 km entre Cuba e a Florida em cima de uma camara de ar, num mar infestado de tubarões.
Como disse Margaret Tatcher: houve duas teorias e duas práticas; os resultados estão à vista.
A resposta longa envolve enumerar as causas da maior competitividade dos privados, o que leva por exemplo muitas autarquias e unidades centrais do estado a subcontrar aos privados, em vez de fazerem elas directamente o serviço (lixo, manutenção do imobiliário, etc.). Isto no estrangeiro, é claro: porque em Portugal não existe prova nenhuma que os privados sejam mais eficientes que o estado ...
E assim no estrangeiro, há três grandes categorias de vantagens dos privados sobre os públicos.
Primeira, maior especialização (criando economias de escalas e efeitos de experiência), que ocorre p.e. quando os hospitais subcontratam os seus serviços de limpeza, segurança, catering, manutenção, etc. a empresas que fornecem muitos hospitais e até outro tipo de organizações: fábricas, escritórios,  aeroportos, etc.
Segunda (e mesmo que não ocorra a primeira), há as chamadas flexibilidades de gestão (do lado dos privados) e as rigidezes (do lado dos públicos): financeiras e de pessoal, isto é na admissão, mudança de funções, de local e mecanismos de motivação dos recursos humanos.
Terceira, o papel do lucro, como indicador de qualidade de gestão e a concorrência: um concessionário sabe que se não cumprir com o contrato (em qualidade e quantidade), este não será renovado e em limite pode até ser rescindido. Um serviço público? Não se despede a si próprio. Isto é aos serviços públicos falta o estímulo de que ou dá o melhor de si, ou simplesmente não sobrevive.
Em síntese, maior especialização ou/e flexibilidades de gestão ou/e o papel do lucro como indicador e da concorrência como estímulo.
Tudo resultando que para os privados o cliente é bem vindo, já que é fonte de receita. E para os públicos "um chato" que vem dar trabalho, uma vez que o dinheiro vem do orçamento.
Mas é claro, isto é lá fora. Porque cá não há prova de que os privados sejam melhores que os públicos. E estes, atenção, atenção, contribuem para o PIB. Voilá!
Uma pergunta: com deputados como estes porque é que Portugal está em crise?

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